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Encontros e Desencontros da História

1 de janeiro de 2026
Márcio Silva Alves Pereira
Márcio Silva Alves Pereira
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Encontros e Desencontros da História

Você já parou para pensar como o destino gosta de costurar vidas que, à primeira vista, não têm nada a ver uma com a outra? Como guia de turismo religioso, eu me pego constantemente admirando essas curvas da história. O que chamamos de "acaso", muitas vezes, parece mais um roteiro planejado por mãos que enxergam muito além da nossa compreensão.

Tudo começa em 1717, com três pescadores: João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia. Eles eram homens simples, pobres e arrisco a dizer que naquele momento apreensivos com a responsabilidade de pescar para a comitiva do Conde de Assumar. E foi assim naquela rede, que insistia em vir vazia, surgiu primeiro o corpo, depois a cabeça de uma pequena imagem escura. Eles não sabiam, mas ao juntarem aquelas duas partes e guardarem a imagem, construindo mais tarde uma capelinha familiar à beira da estrada, estavam criando o ponto de encontro de uma nação inteira. Sem internet, celular ou estradas rápidas, a "Senhora Aparecida" foi unindo o Brasil a partir dali.

Mas a história do Vale não para de cruzar caminhos. Apenas 22 anos depois do encontro, em 1739, nasce na mesma Guaratinguetá o menino Antônio Galvão de França. O futuro Frei Galvão cresceu respirando essa devoção e já religioso se tornou um "escravo" da Imaculada Conceição. É bonito notar que, embora Aparecida tenha se tornado uma cidade independente de Guaratinguetá apenas em 1928, o coração de Frei Galvão já havia unido as duas cidades muito antes, através da sua fé. Ele foi o primeiro santo brasileiro, mas para o povo dali, ele já era santo desde que caminhava por aquelas ruas.

Aí, a história dá um salto e nos apresenta um jovem seminarista chamado Jonas Abib. Imagine o drama: uma doença misteriosa quase o impediu de ser padre. Por causa disso, ele foi enviado para Lavrinhas, aqui no nosso Vale do Paraíba. O que parecia um isolamento por saúde foi, na verdade, o "pretexto" — como ele mesmo dizia — para o seu encontro pessoal com Jesus em uma Mariápolis em Lorena. Se não fosse aquela enfermidade, talvez a Canção Nova não tivesse fincado raízes aqui, onde ele sorriu, sofreu e entregou seu coração.

E o detalhe mais interessante, que nem todos conhecem, envolve o pai do Padre Jonas, o Sr. Sérgio. Um pedreiro de mão cheia que ajudou a erguer Brasília e, depois, foi parar na manutenção do Hospital Beneficência Portuguesa. Foi ali, que certo dia ele foi convidado a participar de uma reunião, onde apresentaram a ele uma planta de reforma de uma sala. E foi com ela na mão e muita humildade, que ele aceitou o desafio de construir a primeira sala de cirurgia cardíaca do Brasil.

E sabe quem estava naquela primeira reunião, onde foi aprestado a planta da reforma? O Dr. Euryclides de Jesus Zerbini. Um médico brilhante, também nascido em Guaratinguetá, o primeiro a realizar um transplante no coração no Brasil! Naquele momento, o pedreiro e o médico não tinham ideia de que suas raízes e seus destinos estavam sendo trançados.

Às vezes, a gente olha para a nossa própria vida e não entende os nós. Mas o tempo de Deus, o Kairos, é diferente do nosso relógio, o Kronos. No futuro, as peças se encaixam e a gente percebe que nunca estivemos sozinhos; estávamos apenas fazendo parte de uma história muito maior.


Referências Bibliográficas

Para compor este texto e fundamentar os fatos históricos, utilizei as seguintes obras:

ABIB, Jonas. Eu acredito em milagres!. Cachoeira Paulista: Canção Nova, [s.d.].

SANTUÁRIO NACIONAL DE APARECIDA. História de Nossa Senhora da Conceição Aparecida: a imagem, o santuário. Aparecida: Editora Santuário, [s.d.].

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