A Muiraquitã e sua Simbologia no Santuário Nacional


Márcio Silva Alves Pereira
Guia de Turismo especializado em turismo religioso, turismo cultural e especialista em atrativos naturais.
Sócio fundador da AGCTUR, grande incentivador da profissão.

Você já ouviu falar da Muiraquitã? E sabia que existe uma relação profunda entre esse símbolo indígena e o Santuário Nacional de Aparecida?
Cláudio Pastro, considerado um dos maiores expoentes da arte sacra mundial, foi o responsável por conceber toda a arte do interior da Basílica. Em seu projeto, ele espalhou pequenas rãs pelo Baldaquino (a imponente estrutura que envolve o altar central, inaugurada em 2007) e nas proximidades do Nicho de Nossa Senhora Aparecida, representadas no formato estilizado das Muiraquitãs.
A Identidade Brasileira no Espaço Sagrado
Desde os seus primeiros estudos, Pastro buscou trazer para dentro do maior Santuário Mariano do mundo traços e símbolos que remetessem à identidade do povo brasileiro. Ele desejava que o peregrino se reconhecesse naquela arte. No entanto, para a maioria dos milhões de visitantes que passam pelo templo anualmente, esses detalhes passam despercebidos.
A grandiosidade da Basílica não reside apenas em suas dimensões físicas, mas no espaço místico que a envolve. Sem o acompanhamento de um guia de turismo especializado, esses elementos tornam-se "invisíveis", sendo confundidos com meros ornamentos. Mas, no Santuário, nada é por acaso: cada cor, cada mosaico e até os tijolos aparentes possuem um significado profundo.
Da Lenda Indígena ao Mistério da Ressurreição
A Muiraquitã é tradicionalmente conhecida como um amuleto indígena, esculpido em pedra verde ou madeira, que simboliza sorte e proteção. Contudo, ao inseri-la no templo, Cláudio Pastro focou no animal — a rã — e não na lenda do amuleto em si.
Para o Cristianismo, a rã é um poderoso símbolo da Ressurreição. Pastro explicava que, em diversos povos primitivos, observava-se o comportamento desse animal: durante a seca, a rã se enterra no barro e na lama em busca de umidade. Ela permanece ali por meses, chegando a ficar, em algumas ocasiões, fina como uma folha de papel, parecendo sem vida. Porém, ao cair da primeira chuva, ela "renasce" e emerge da terra.
A Fé que se Sustenta na Ressurreição
É por esse motivo que a Muiraquitã aparece estrategicamente na base do Baldaquino e na base do Nicho da Padroeira. Ela nos recorda o pilar central do cristianismo: a vitória da vida sobre a morte. Como escreveu São Paulo em sua primeira carta aos Coríntios:
Assim, ao olhar para aquelas pequenas rãs no Santuário, o fiel é convidado a lembrar que a sua fé não se baseia em um homem que morreu, mas Naquele que venceu a morte e vive para sempre.
Uma Fé que se torna Cultura
E aí, você já tinha reparado nessas pequenas "moradoras" do Santuário? Se a resposta for não, lembre-se do que São João Paulo II alertou em 1982:
O trabalho de Cláudio Pastro foi justamente transformar a nossa cultura brasileira em expressão de fé. Por isso, em sua próxima visita, não veja apenas paredes e imagens. Com o auxílio de um guia de turismo, você poderá vivenciar sua fé por inteiro, compreendendo cada detalhe e permitindo que ela se transforme, verdadeiramente, em cultura e vida.
Galeria de Fotos e Vídeos

Amuleto da Muiraquitã, usada por indigenas.

Muiraquitã, na base do painel do encontro da Imagem, próximo ao Nicho de Nossa Senhora Aparecida
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