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A Muiraquitã e sua Simbologia no Santuário Nacional

5 de janeiro de 2026
Márcio Silva Alves Pereira
Márcio Silva Alves Pereira
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A Muiraquitã e sua Simbologia no Santuário Nacional

Você já ouviu falar da Muiraquitã? E sabia que existe uma relação profunda entre esse símbolo indígena e o Santuário Nacional de Aparecida?

Cláudio Pastro, considerado um dos maiores expoentes da arte sacra mundial, foi o responsável por conceber toda a arte do interior da Basílica. Em seu projeto, ele espalhou pequenas rãs pelo Baldaquino (a imponente estrutura que envolve o altar central, inaugurada em 2007) e nas proximidades do Nicho de Nossa Senhora Aparecida, representadas no formato estilizado das Muiraquitãs.

A Identidade Brasileira no Espaço Sagrado

Desde os seus primeiros estudos, Pastro buscou trazer para dentro do maior Santuário Mariano do mundo traços e símbolos que remetessem à identidade do povo brasileiro. Ele desejava que o peregrino se reconhecesse naquela arte. No entanto, para a maioria dos milhões de visitantes que passam pelo templo anualmente, esses detalhes passam despercebidos.

A grandiosidade da Basílica não reside apenas em suas dimensões físicas, mas no espaço místico que a envolve. Sem o acompanhamento de um guia de turismo especializado, esses elementos tornam-se "invisíveis", sendo confundidos com meros ornamentos. Mas, no Santuário, nada é por acaso: cada cor, cada mosaico e até os tijolos aparentes possuem um significado profundo.

Da Lenda Indígena ao Mistério da Ressurreição

A Muiraquitã é tradicionalmente conhecida como um amuleto indígena, esculpido em pedra verde ou madeira, que simboliza sorte e proteção. Contudo, ao inseri-la no templo, Cláudio Pastro focou no animal — a rã — e não na lenda do amuleto em si.

Para o Cristianismo, a rã é um poderoso símbolo da Ressurreição. Pastro explicava que, em diversos povos primitivos, observava-se o comportamento desse animal: durante a seca, a rã se enterra no barro e na lama em busca de umidade. Ela permanece ali por meses, chegando a ficar, em algumas ocasiões, fina como uma folha de papel, parecendo sem vida. Porém, ao cair da primeira chuva, ela "renasce" e emerge da terra.

A Fé que se Sustenta na Ressurreição

É por esse motivo que a Muiraquitã aparece estrategicamente na base do Baldaquino e na base do Nicho da Padroeira. Ela nos recorda o pilar central do cristianismo: a vitória da vida sobre a morte. Como escreveu São Paulo em sua primeira carta aos Coríntios:

"E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados." (1 Coríntios 15:17)

Assim, ao olhar para aquelas pequenas rãs no Santuário, o fiel é convidado a lembrar que a sua fé não se baseia em um homem que morreu, mas Naquele que venceu a morte e vive para sempre.

Uma Fé que se torna Cultura

E aí, você já tinha reparado nessas pequenas "moradoras" do Santuário? Se a resposta for não, lembre-se do que São João Paulo II alertou em 1982:

"Uma fé que não se torna cultura é uma fé não plenamente acolhida, não inteiramente pensada, não fielmente vivida."

O trabalho de Cláudio Pastro foi justamente transformar a nossa cultura brasileira em expressão de fé. Por isso, em sua próxima visita, não veja apenas paredes e imagens. Com o auxílio de um guia de turismo, você poderá vivenciar sua fé por inteiro, compreendendo cada detalhe e permitindo que ela se transforme, verdadeiramente, em cultura e vida.

Galeria de Fotos e Vídeos

Amuleto da Muiraquitã, usada por indigenas.

Amuleto da Muiraquitã, usada por indigenas.

Muiraquitã, na base do painel do encontro da Imagem, próximo ao Nicho de Nossa Senhora Aparecida

Muiraquitã, na base do painel do encontro da Imagem, próximo ao Nicho de Nossa Senhora Aparecida

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