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Pe. Carlos A. Chiquim fala sobre a Pastoral do Turismo

07/07/2014 13:39:19

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Entrevista sobre a Pastoral do Turismo com Pe. Carlos A. Chiquim

1 - Quais são as linhas mestras e objetivos prioritários da Pastoral do Turismo no Brasil? Desde quando existe, quais são os principais projetos que possui, números e estatísticas, etc.

A Pastoral do Turismo teve o seu início em 2004. Dom Murilo Krieger, atual arcebispo de Salvador, foi o seu precursor e definiu algumas linhas de ação. A composição de uma coordenação nacional, porém, teve o seu início é em 2010.
A Pastoral do Turismo é a ação da Igreja que visa evangelizar com novos métodos as pessoas envolvidas na prática do turismo, tanto aquelas que se deslocam pelos mais variados motivos como as que estão envolvidas em todo processo.
O seu objetivo é evangelizar as pessoas envolvidas com a prática do turismo, ajudando-as a descobrirem a presença de Deus na beleza da criação, nas manifestações culturais e religiosas e em todos os seus âmbitos, contribuindo para que as pessoas envolvidas, ao regressarem aos seus lares possam inserir-se na comunidade local, assumindo um compromisso concreto visando a transformação da comunidade e a construção de uma sociedade justa e solidária.
Em agosto de 2011 aconteceu na cidade do Rio de Janeiro um encontro da Pastoral do Turismo de todos os países da América Latina e Caribe, coordenado pelo CELAM.

2 - A Mensagem do Pontifício Conselho Vaticano destaca a diversidade cultural como fato positivo, ao mesmo tempo que aponta as viagens como oportunidades que favorecem o encontro, diálogo, tolerância, respeito e mútua compreensão. De modo concreto, o nosso país - devido às suas dimensões continentais - apresenta-se como terreno fértil para esse intercâmbio de experiências religiosas e modos distintos de viver a mesma fé. Como fomentar esse interesse em descobrir a fé "do outro" dentro do nosso próprio país? Como incentivar o turismo religioso dentro de nossas fronteiras? Quais são as principais oportunidades e locais de se viabilizar isso? O senhor poderia citar experiência exitosas nessa perspectiva?

A Pastoral do Turismo tem uma atividade abrangente, atingindo os seguintes âmbitos:1. Turismo Religioso abrangendo os santuários; eventos: festas, shows; roteiros; grupos dirigidos; agentes. 2. Áreas turísticas trabalhando com a acolhida, celebrações e produzindo subsídios informativos. 3. Outro foco são os equipamentos de chegadas dos turistas, aeroportos, portos e terminais rodoviários. 4. Atinge, também, todos os prestadores de serviço, operadoras, agências, hotéis, pousadas, capacitadores e outros.

Devido a essa abrangência ela atua com todas as categorias de pessoas que viajam por motivos diversos. Quando falamos em turismo religioso temos que levar em conta que é a atividade desenvolvida por pessoas que se deslocam por motivos religiosos ou para participar de eventos de significado religiosos. A dimensão religiosa aplicada ao turismo deve ser reconhecida em sua amplitude espiritual e metafísica. Trata-se de um fazer turístico capaz de manifestar algum dado de religiosidade. Convém lembrar que essa aspiração está presente em praticamente todas as religiões. Por isso atinge todas as raças e credos.

Uma das riquezas do Brasil é a sua diversidade cultural e, com a diversidade cultural, temos a diversidade religiosa; o turismo tem sido uma ferramenta de aproximação das culturas e de promoção do respeito pela diversidade religiosa. A pastoral tem trabalhado de maneira exitosa com as quatro principais matrizes religiosas: a cristã , a afro descendente, a oriental e a nativa. Essa iniciativa chamou a atenção do próprio Ministério do Turismo. No Paraná, estado que sedia a coordenação nacional existe experiências concretas de roteiros interreligiosos. Estamos elaborando outro na Bahia que será implementado em fevereiro próximo.

O respeito pela vida, pelo meio ambiente, pela cultura são os principais motivadores de ações interreligiosas. Vale lembrar de que quando você entra num templo de sua fé, você é um peregrino e quando você entra num templo de outra religião você está fazendo turismo cultural.

3 - Um objetivo da Pastoral do Turismo, segundo o Conselho Vaticano, deve ser "educar e preparar os cristãos de modo a que esse encontro de culturas que pode acontecer nas viagens não seja uma oportunidade perdida, mas que sirva certamente como um enriquecimento pessoal, que ajude a conhecer o outro, ao mesmo tempo que se conhece a si mesmo". Nesse sentido, pode-se afirmar que um dos cunhos privilegiado de Pastoral no Turismo é esse encontro com a diferença enquanto oportunidade de enriquecimento e conhecimento de si mesmo? Quais seriam as outras ocasiões privilegiadas oportunizadas por essa pastoral?

Sem dúvida nenhuma o princípio é esse: o estrangeiro de hoje é o seu irmão de amanhã. As fronteiras estão caindo. Vivemos num mundo globalizado. Conhecer o outro é fundamental para o conhecimento de si mesmo. A experiência de intercâmbio entre as culturas ajuda-nos a reconhecer os nossos próprios limites e, consequentemente, leva-nos a um crescimento.

Penso que a melhor ferramenta para promover esse intercâmbio cultural é o acolhimento. Pastoral do turismo e pastoral da acolhida estão intimamente ligados. Acolher bem o turista é promover uma queda dos muros da separação.

4 - Frente a essa riqueza do trabalho que pode desenvolver, o que ainda é preciso aprimorar no que diz respeito à valorização e reflexão sobre o papel da Pastoral do Turismo?

A Pastoral do Turismo ainda é uma novidade e, por esse motivo, tem muitos desafios. O principal está em uma mudança cultural. Faz-se necessário compreender realmente o que é a pastoral do turismo. Muitos a associam a uma simples atividade de praticar turismo ou organizar grupos. A pastoral tem uma abrangência muito grande, trata-se de um novo campo de evangelização, como falou o Documento de Aparecida “Na cultura atual, surgem novos campos missionários e pastorais que se abrem. Um deles é, sem dúvida, a pastoral do turismo…” DA 493. O papa João Paulo II afirmou que o turismo é um instrumento a serviço da paz e do diálogo entre as civilizações. Outro grande desafio é capacitar os agentes para suprir a necessidade de tantas dioceses no Brasil, que possuem cidades caracterizadas como destinos turísticos.

5 - A contribuição da Igreja nessa aproximação das culturas é evidenciada através do patrimônio cultural que surge da experiência da fé. Mostrar o verdadeiro significado de tal patrimônio, na sua autenticidade e verdadeira natureza religiosa, é objetivo primário da Pastoral, também segundo a mensagem em questão. Isso serve de alerta para o risco de se - em nome de um presunto "amplo acolhimento" - deixar de valorizar a experiência de fé no seu sentido genuíno? Como evitar que isso ocorra e, ao mesmo tempo, manter as portas abertas para o homem contemporâneo, sedento mas, ao mesmo tempo, distante das "coisas" de Deus?

É lógico que não podemos relativizar a questão. A acolhida, o respeito mútuo, a soma de esforços para garantir a diversidade cultural e religiosa não significa abrir mão do próprio patrimônio cultural e religioso. Não discutimos questões doutrinais. Centramos nosso esforço nos aspectos que são convergentes.

6 - Sobre o acolhimento, a mensagem questiona: "Como acolher as pessoas nos lugares sagrados de modo a que este os ajude a conhecer e a amar mais o Senhor? Como facilitar um encontro com Deus e cada uma das pessoas que ali acodem? Devemos sublinhar, antes de mais, a importância de um acolhimento apropriado". Mais adiante, indica-se também a necessidade de adotar um conjunto de iniciativas pastorais concretas. De modo efetivo, como responder a essas indagações? O que já é e ainda pode ser feito?

Devemos usar de criatividade em nossas comunidades. Cito algumas iniciativas que poderão ser desenvolvidas: conhecer as atividades desenvolvidas no âmbito da Pastoral do Turismo no Brasil e procurar trabalhar em rede visando a soma de esforços e a troca de experiências; tomar consciência da realidade do mundo do turismo como espaço privilegiado de evangelização e aproveitar todos os âmbitos do turismo para o anúncio do evangelho; assumir nossa responsabilidade de sermos portadores dos valores do evangelho no mundo do turismo; estabelecer estratégias de trabalho em rede; Apoiar projetos de economia solidária e comércio justo vinculados ao turismo; Reconhecer as potencialidades do turismo no desenvolvimento integral das comunidades e das pessoas, bem como um espaço de missão; contribuir com as comunidades locais no regate e preservação de sua identidade cultural, considerar o trabalho no turismo como possibilidade de desenvolvimento para a população local, trabalhar para minimizar os impactos do turismo nos ecossistemas, na cultura e na comunidade; colaborar fortemente na formação e capacitação dos agentes pastorais indispensáveis para melhorar a ação da Pastoral do Turismo e atingir os objetivos e mudanças sociais que almejamos e, sem dúvidas, assumir e divulgar o Código de Ética Mundial do Turismo.

7 - Por fim, salienta-se: "Não nos podemos conformar com conceber as visitas turísticas como uma simples pré-evangelização, mas deve funcionar de plataforma para realizar o anúncio claro e explícito de Jesus Cristo". Isso representa um desafio para a realidade pastoral em nosso país? Como promover essa evangelização mais incisiva e clara?

O objetivo da Pastoral do Turismo é evangelizar as pessoas envolvidas com o mundo do turismo, anunciar a boa nova do evangelho e contribuir para que as pessoas envolvidas, ao regressarem aos seus lares possam inserir-se na comunidade local, assumindo um compromisso concreto visando a transformação da comunidade e a construção de uma sociedade justa e solidária. Devemos investir na capacitação do clero e de agentes leigos que atuam nas áreas turísticas. O fiel turista que busca uma igreja enquanto está viajando, está aberto a acolher a mensagem do evangelho. Devemos aproveitar essa oportunidade. Investir em uma eficiente pastoral da acolhida, pois acolher bem é, também, evangelizar. Não podemos nos esquecer da produção de subsídios criativos com mensagens provocativas. O turista está ávido a conhecer o local e apto a acolher a mensagem evangélica.

Fonte: Secretaria AGCTUR.


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