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1878: viagem expressa por Guaratinguetá e Pindamonhangaba

02/07/2014 22:53:36

Como noticiado pelo Correio Paulistano (8 de setembro de 1878, p. 2), o trem Imperial saiu da Quinta Imperial às 5h30 da manhã do dia 10 de setembro, carregando consigo uma ampla comitiva. Pararam rapidamente em Barra do Piraí, onde almoçaram, chegando em Cachoeira às 13h40, onde foram recepcionados pelo presidente da província de São Paulo e outras autoridades. Fizeram a necessária baldeação, embarcando no carro Imperial da Estrada de Ferro do Norte, até realizarem pequena pausa na estação de Lorena (MOURA, 2002, p. 111).

Visconde de Guaratinguetá

Às 14h40, d. Pedro II, a Imperatriz Thereza Cristina e toda a comitiva chegaram à Guaratinguetá. Após breve recepção na estação de trem, seguiram de carro até o palacete do Visconde de Guaratinguetá, “onde lhes foram servido jantar, durante o qual a banda de música tocou” (MOURA, 2002, p. 112). Dali visitaram a igreja Matriz e a Santa Casa de Misericórdia (Diário do Norte, 11 de setembro de 1878, p. 2). Era desejo da Imperatriz uma visita à capela de Nossa Senhora Aparecida, mas que foi negado por d. Pedro II, que talvez pela necessidade de logo embarcar para São Paulo, furtou-se de conhecer a capela tão visitada por sua filha. Em carta ao amigo Conde d’Eu, o Visconde de Guaratinguetá transpassa sua decepção com a negativa do Imperador em visitar a capela, que estava toda preparada para a ocasião.

S. Majestade a Imperatriz queria ir a Aparecida, mas S. Majestade o Imperador respondeu que em outra excursão lá iriam, e Eu senti que S. Majestade lá não fosse para ver com o estado de adiantamento em que vai aquela importante obra, que acabada deverá chamar aquele templo o brinco de toda a Província de S. Paulo. Eu tinha mandado armar a Igreja, e tudo estava disposto para a recepção imperial (Doc. 8192, de 12 de outubro de 1878).

A rapidez da visita aliada à diminuição da pompa e do cerimonial para a recepção do Imperador não supriram as expectativas do Visconde de Guaratinguetá, que não teria a oportunidade de saciá-las na segunda visita feita pelo Imperador em 1886, já que no ano de 1879 viria a falecer. Na mesma carta ao Conde d’Eu, o Visconde relatava seu estado decadente de saúde: “(…) sentindo não os acompanhar [o Imperador e a Imperatriz] até a Cachoeira pelo mau estado, de mª saúde que a três meses se tem agravado” (Doc. 8192, de 12 de outubro de 1878).

 Palacete do então Barão da Palmeira, onde hoje funciona o Museu Histórico e Pedagógico D. Pedro I e Dona Leopoldina

Palacete do então Barão da Palmeira, onde hoje funciona o Museu Histórico e Pedagógico D. Pedro I e Dona Leopoldina – Foto: Rodrigo Teófilo

Partiram dali para Pindamonhangaba, onde foram recebidos entusiasticamente na estação de trem, depois pernoitando no casarão do Visconde de Pindamonhangaba (GUIMARÃES, 2007, p. 32). Na manhã seguinte visitaram alguns prédios públicos e foram até o palacete do Barão da Palmeira para contemplarem a vista do “soberbo Vale do Paraíba e a majestosa Serra da Mantiqueira” (MARCONDES, 1922, p. 35). O convite do Barão da Palmeira não se restringia apenas para que a família Imperial deslumbrasse a vista da região. Para a ocasião, ele havia mandado remodelar todo o seu palacete, trazendo um arquiteto e um decorador da França, além de adquirir vários objetos de decoração e utensílios domésticos de alto valor financeiro e artístico. Guimarães (2007, p. 32) cita dois objetos de destaque adquiridos pelo Barão da Palmeira somente para a visita do Imperador em 1878: “um par de vasos Sévres, com duas figuras de mulher, as Bacantes, em relevo, trabalho de primorosa feitura (…). O outro conjunto é um soberbo serviço de chá, de prata portuguesa, finamente cinzelada; a bandeja, de tão larga e pesada, necessitava de duas pessoas para transportá-la”.

A calorosa recepção terminaria em Pindamonhangaba. No próximo artigo da série “Os passos do Imperador”, traremos como os jornais de Taubaté aproveitaram da visita de d. Pedro II para pautar demandas sociais e criticar a pompa e circunstância empreendida pelos titulares da região na recepção do monarca.

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Referências bibliográficas

GUIMARÃES, B. Recontando a História de uma Princesa. Pindamonhangaba: São Benedito, 2007.

MARCONDES, A. Pindamonhangaba através de dois e meio séculos. São Paulo: Tip. Paulista, 1922.

MOURA, C. E. M. O Visconde de Guaratinguetá: Um Titular do Café no Vale do Paraíba. São Paulo: Studio Nobel, 2002.

Correio Paulistano, São Paulo, 8 de setembro de 1878.

Diário do Norte, Guaratinguetá, 11 de setembro de 1878.

Arquivo do Museu Imperial de Petrópolis, Doc. 8192, de 12 de outubro de 1878.

Fonte: Aumanaque Urupes


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